A empatia seletiva
Todos nós nos emocionamos quando vemos uma tragédia. Uma lágrima escorre, uma oração é feita, um gesto de solidariedade nasce. Mas, com o passar dos dias, outra notícia ocupa o lugar da primeira, e aquilo que ontem partia o nosso coração hoje já não nos comove da mesma forma. A verdade é que, sem perceber, corremos o risco de escolher por quem sentir compaixão. Choramos por quem aparece na televisão, mas esquecemos de quem sofre em silêncio ao nosso lado. Enquanto nos entristecemos com uma história distante, talvez exista um vizinho lutando contra a depressão, um idoso esperando uma visita, uma mãe chorando escondida, ou alguém sorrindo apenas para disfarçar uma dor que ninguém percebe. O maior perigo não é apenas a maldade. É quando o coração se acostuma com o sofrimento dos outros. É quando a dor alheia deixa de nos tocar. Nesse momento, perdemos um pedaço da nossa própria humanidade. Talvez Deus não nos mostre todas as tragédias do mundo para que carreguemos esse peso, mas certament...