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Mostrando postagens de março, 2026

Esquecer um amor não é como apagar um quadro de uma lousa

Esquecer um amor que deixou marcas profundas não é como apagar um quadro de uma lousa. É mais parecido com aprender a conviver com uma cicatriz no coração. Ela não desaparece completamente, mas com o tempo deixa de doer como antes — e passa a contar uma história sobre quem você se tornou.   Quando alguém marca nossa vida, essa pessoa passa a morar em lugares silenciosos da memória: numa música, num cheiro, numa frase que ecoa dentro da mente. E às vezes o coração continua ligado, como se existisse um fio invisível entre o que foi vivido e o que ainda sentimos. Isso acontece porque o amor verdadeiro, mesmo quando termina, não se desfaz de repente. Ele precisa ser lentamente transformado.  Talvez esquecer não seja exatamente o caminho. Talvez o caminho seja ressignificar. Entender que aquele amor foi real, foi importante, e fez parte da sua história — mas não define todo o seu futuro.  Há um momento delicado na vida em que percebemos que amar alguém também pode signifi...

Medo da morte ou medo da vida?

O que faz uma pessoa ficar enlatada em um avião por 11 horas, desembarcar num lugar desconhecido, comer e beber pagando uma exorbitância em euros, para então voltar para casa percorrendo as mesmas cansativas 11 horas, agora com um monte de dívida no cartão? Parece irracional, mas a morte é mais irracional ainda: irá nos tirar de cena a qualquer minuto, contra a nossa vontade. Como se rebate essa afronta? Com irracionalidades, como o amor, o êxtase, as surpresas. Nos emocionando. Nos divertindo. Encontrando os mesmos amigos uma, duas, mil vezes, para reforçar o afeto. Se apaixonando, para andar na corda bamba. Lutando pelo bem-estar dos outros e participando de movimentos pacifistas, para deixar um mundo melhor lá adiante, quando não estivermos mais aqui. Criando arte, trilhando montanhas, fazendo filhos, não evitando os livros que nos fazem chorar, não fugindo de nada que nos faça sentir. Sa a morte é absurda, fominha, violenta, então contra-atacamos com um entusiasmo afrontoso. É prec...