terça-feira, 7 de outubro de 2008

As Chuvas dos Olhos

“Chove.
Na fonte das águas,
chove.

Na fronte das lágrimas
do pretérito calado.

Lavando a chuva dos
olhos cansados.

Chovendo nos mares,
nos mares amados.”

Há quanto tempo você não chora?

Há quanto tempo seus olhos não são
inundados por lágrimas,
por estas pequenas gotas que parecem
nascer em nosso coração?
Há quanto tempo?

Assim como o fenômeno natural
da precipitação atmosférica,
a chuva,
realiza o trabalho de purificar a terra,
a água e o ar,
também nossas lágrimas
têm tal função.

A de limpar nosso íntimo,
a de externar nossas emoções,
sejam elas de alegria ou de pesar.

Precisamos aprender a expressar
nossos sentimentos.

Nossa cultura possui conceitos arraigados,
como o de que “homem não chora”,
ou que “é feio chorar”,
que surgem em nossas vidas
desde quando crianças,
na educação familiar,
e acabam por internalizarem-se em nossa alma,
continuando a apresentar manifestações
na vida adulta.

Sejamos homens ou mulheres na Terra,
saibamos que todos rumamos para
a busca da sensibilidade,
do autodescobrimento,
e da expressão de nossos sentimentos.

Tudo que deixarmos guardado virá à tona,
cedo ou tarde.

Se forem bons os sentimentos contidos,
estaremos perdendo uma oportunidade
valiosa de trazê-los ao mundo,
melhorando nossas relações com
o próximo e conosco mesmo.

Se forem sentimentos desequilibrados,
estaremos perdendo a chance de encará-los,
de analisá-los,
e de tomar providências para
que possam ser erradicados
de nosso interior.

As barreiras que nos impedem de nos emocionar,
de chorar,
são muitas vezes as mesmas que
nos fazem pessoas fechadas e retraídas.

Barreiras que carecemos romper,
para que nossos dias possam
ser mais leves,
mais limpos,
como a atmosfera que recebe
a água da chuva,
e nela encontra sua purificação.

As chuvas dos olhos fazem
um bem muito grande.

Desabafar,
colocar para fora o que angustia nosso íntimo,
ou o que lhe dá alegria, é um exercício precioso.
Um hábito salutar.

Dizer a alguém o quanto o amamos,
quando este sentimento surgir
em nosso coração
– mesmo sem um motivo especial -,
será sempre uma forma de
fortalecimento de laços.

De construção de uma união mais feliz,
e principalmente,
um recurso para elevarmos
nossa auto-estima,
nosso auto-amor.
* * *
Deus nos concedeu a chuva para regar os campos,
para tornar mais puro o ar.

Também nos presenteou com as lágrimas,
para que as nossas paisagens íntimas
pudessem ser regadas,
e para que os ares do Espírito
encontrassem a pureza.

Autor: Redação do Momento Espírita.
* * * * *
Texto lido no programa
"Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 08 de Outubro de 2.008.

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