segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Siga as nuvens

Na Maratona das Areias,
no Marrocos em 1994,
Mauro Prosperia,
um oficial da polícia italiana e corredor
experiente de maratonas, toma seu
lugar na saída dessa corrida de
resistência de 7 dias pelo deserto.

Faltavam alguns segundos para a saída
e em sua mente veio uma frase dos Tuaregs,
povos do deserto que ele gravara pela
sua simplicidade e por não entender
muito bem o seu sentido.

"Em qualquer dificuldade na vida,
siga as nuvens"

A largada foi dada e Mauro começa
a sua corrida de resistência.
Depois de 6 dias de uma corrida
durissíma e faltando apenas
1 dia para acabar,
uma tempestade de areia fez Mauro
ficar perdido,
bem longe da trilha,
com poucos alimentos,
pouca água e isolado.

Sem saber onde está,
ele segue caminhando e encontra
uma construção no meio do nada
e descobre que é um túmulo,
que naquele momento significava abrigo.

Ali ele se acomoda e começa
a pensar nas suas chances
de escapar com vida.

Separa os poucos pertences
que tem na sua mochila:
1 cantil pequeno com pouca água,
1 cobertor metalizado e alguns
lanches e imaginou como seria difícil
sobreviver se ninguém o encontrasse.

Nesse mesmo tempo,
seu irmão e membros da sua equipe
já perceberam o seu sumiço
e começam uma busca desesperada.

O dia passa, a noite chega
e o desânimo já começa a bater,
e ele se lembra da família e pela
primeira vez pensa em Deus,
e pede humildemente um sinal
para continuar lutando.

No dia seguinte,
ele ouve o barulho de um avião
e pensa no sinal que pediu para Deus.

Desesperado ele toma uma decisão de fé:
pega tudo o que tem na mochila
e queima para chamar a atenção do avião,
estende o seu cobertor
metalizado e os lanches na areia
para refletir o sol e mesmo assim,
o avião passa e vai embora sem ver nada.

Quase na mesma hora,
uma tempestade de areia obriga-o
a correr para o seu abrigo,
sem ter tempo para recolher nada.
A tempestade de areia foi terrível,
e quando ele pode sair do abrigo
percebeu que perdeu tudo e já cansado,
com fome e sem ânimo,
descobre que o sinal que pediu
a Deus foi passageiro.

Da euforia anterior,
ele sentiu seu mundo desmoronar,
pensou que Deus o havia abandonado.
Numa atitude desesperada,
ele resolve acabar coma sua vida,
e corta os pulsos.
Sangrando ele deita e dorme...

No dia seguinte,
surpreso,
ele acorda e percebe que
seus pulsos não sangraram,
pelo contrário,
o sangue seco mal cobriu
a parte cortada.

Ele estava tão desidratado
que o sangue não conseguia
vazão nas pequenas veias.
Esse era mais um sinal de que
ele deveria lutar pela vida.

Novo ânimo,
e ele lembrou-se dos morcegos
no fundo daquele abrigo,
e pegando um deles,
matou-o com o seu canivete
e comeu cru mesmo;
o "homem selvagem" despertou,
a sede pela vida o fez reanimar
e como maratonista experiente
resolveu sair para buscar água.

Na parte da manhã andou muito,
coisa que uma pessoa comum jamais aguentaria,
até encontrar uma pequeno
fio de água no leito de um rio seco...
matou um pouco da sede...

Nesse mesmo momento,
o seu irmão e a equipe de busca
chegaram ao local em que
ele estava anteriormente
e perceberam que ele havia passado por ali,
mas como saber para onde ele foi?

Naquela tarde do oitavo dia,
a imprensa no mundo noticiava a sua morte,
pois era impossível um homem
resistir tanto tempo perdido no deserto,
só a sua esposa, na Itália,
mantinha acesa uma chama de fé,
ela mesmo ficou dois dias sem comer nada,
para tentar entender como o marido
estava se sentindo...

Naquele momento ele estava
tentando sobreviver,
deitado na areia do deserto,
sem proteção, faminto,
com sede e com seu corpo quase
entrando em falência múltipla dos órgãos,
ele teve uma visão da
mensagem dos Tuaregs:
"Siga as nuvens",
e foi assim que ele levantou e
seguindo as nuvens,
pensando na sua família,
pensando em Deus,
no nono dia de privações e provações,
ele avistou um vulto que acenava com a mão,
ele num esforço único levantou a mão,
como se levantasse chumbo,
e acenando percebeu uma menina
que vinha ao seu encontro,
e ao vê-lo tão maltratado,
ela correu e voltou pouco depois
com a sua mãe.
Era uma pastora de ovelhas que
logo ofereceu-lhe uma caneca
de leite tirado na hora.

Assustada,
ela manda a menina até um posto
policial e logo ela volta com 2 policiais
que ajudam o Mauro levantar.

Assustado com
a presença daqueles policiais,
delirando tenta fugir,
mas de tão exausto,
desmaia e acorda horas mais
tarde em um hospital.

Seu estado era desesperador,
e litros e litros de soro são
aplicados lentamente para sua recuperação,
quando pode falar,
ligou para a esposa e perguntou
se já haviam publicado a sua morte
nos jornais da Itália.

Quando retorna para casa
é aclamado por todos como
"herói".

Hoje, 15 anos depois,
ele está vivo,
tem sequelas nos rins,
fígado e marcas profundas no rosto,
mas continua correndo,
acreditando que Deus tem um
propósito para cada criatura,
e que aconteça o que acontecer,
temos que continuar seguindo as nuvens,
numa clara alusão ao fato
de que não podemos ficar parados,
esperando a chuva ou a ajuda do céu,
precisamos caminhar,
lutar,
seguir as nuvens por onde ela for,
movimentando assim,
as bênçãos do céu.

"Em qualquer dificuldade na vida,
siga as nuvens"

* Baseado na história real de Mauro Prosperia *

Eu acredito em você

Paulo Roberto Gaefke
* * * * *
Texto lido no programa
"Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 03 de Janeiro de 2.009.

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