terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Colecionador de Dias

Temos uma compulsão para colecionar.
Parece que temos dificuldade
de nos desfazer daquelas coisas que fizeram,
de alguma forma,
parte do sentido que a vida nos teve
num determinado momento.

Uns têm sótãos cheios;
outros, álbuns; outros,
a garagem cheia de carros antigos.
Vovó sempre dizia:
“quem guarda tem”.

Insegurança? Avareza?
Espírito empoeirado?
Não sei.

Depende do papel que essas coisas
desempenham em nossas vidas.
Elas podem nos tornar avarentos,
saudosistas,
retrógrados ou sábios.

O salmista nos fala de um colecionador de dias.
Pede a Deus que possa relacionar-se
com seus dias de tal forma que eles
o façam melhor à medida que o tempo passa.
Como pode ser isso?

O colecionador de dias pode
ser um pródigo néscio:
gasta tudo o que tem,
sem priorizar importâncias e valores.

Acaba trocando o importante pelo urgente.
Ele nunca tem tempo para
nada e sempre é surpreendido pelo relógio.

E o que é pior:
no final do ano,
descobre que nada fez
de importante.

Por outro lado,
o colecionador de dias pode ser um sábio,
quando conhece cada figurinha
de sua coleção,
bem como seu valor;
quando aprende com as lições de seus dias,
não precisando cair de novo no mesmo erro;
quando aprende a viver cada dia
como se fosse único;
quando preza seus dias,
mas sem avareza,
sendo capaz de gastá-los
também em folguedos.

O colecionador de dias é um sábio
quando seu álbum não revela muitos
espaços vazios ou uma capa cheia
de inúteis duplicatas.

Texto retirado de
“Devocionais Para Todas as Estações”
(Editora Ultimato, 2005).
Fonte: http://www.ultimato.com.br/
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Texto lido no programa
"Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 25 de Fevereiro de 2.009.

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