sábado, 4 de abril de 2009

Conta as bênçãos

O que nos deixa mais tristes ou infelizes
é a solidão da dor.
Não,
não inverti as palavras,
porque uma coisa é a dor da solidão,
que milhares de almas, mesmo acompanhadas,
conhecem e uma outra é a solidão da dor.

A solidão da dor é a que cabe a nós,
inteiramente.
É a que julgamos a maior do mundo,
a mais pesada e difícil de carregar;
aquela que diminui nossa estatura e agiganta
todos os outros que estão ao redor;
a que mata cada fibra do
nosso coração e
nos faz esquecer todas as alegrias
e bênçãos recebidas.

Perigosamente destrutiva,
afasta-nos do bem e do bom,
da luz, do sal,
da cruz e das promessas Divinas.

Jesus também sofreu
a dor da solidão e do abandono;
sofreu a dor da dor,
a lança atravessada,
o peso da cruz e do cravo nas mãos.
Mas Ele não experimentou a solidão da dor.
Ele sabia que não estava só e
mesmo nos momentos mais difíceis de serem suportados,
erguia os olhos para o Céu.

Contamos tudo o que recebemos da vida
e particularmente de Deus de maneira inversa.
Apagamos facilmente o bem,
as alegrias,
as bênçãos que caem gota
a gota na nossa cabeça nos ungindo e reavivamos
as dores que fatalmente colhemos nos
caminhos por nós mesmos escolhidos.
Você tem teto, alimento, família,
amigos, trabalho, saúde?
Conta as bênçãos!!!

Tem momentos de riso gostoso,
de partilha,
pode ver o nascer e o pôr-do sol?
Conta as bênçãos!!!

Contamos nossas dores, as contabilizamos,
somamos e nos esquecemos de
acrescentar as alegrias que podem diminuí-las
ou pelo menos nos mostrar que
na balança da vida nem tudo é perda e sofrimento.

Conta sim, uma a uma,
as bênçãos da sua vida.
Você vai ver que a esperança
ainda vive, que a luz brilha,
que as flores continuam nascendo apesar
das secas ou das enchentes.

Você vai ver que, silencioso,
Deus olha por nós e continua distribuindo o
bem, mesmo se aos nossos olhos as graças
pareçam invisíveis.

* * * * *

COMENTÁRIOS DA AUTORA

Quem nunca atravessou uma noite escura?
Quem nunca duvidou e teve medo de prosseguir?
Quem nunca chorou e acabou adormecendo?
Quem nunca teve um momento que achou que
era o mais lindo de toda a sua vida?
E quem nunca pensou em desistir e prosseguiu assim mesmo,
se arrastando e chegando até o dia seguinte?
Os caminhos são tão parecidos a todos nós!
As dores podem ser tanto iguais quanto as alegrias intensas.
Mas, claro, cada um sabe, por si,
o efeito que cada coisa produz no seu âmago.

E das coisas mais comuns ao esquecimento
está aquele da existência dos
outros quando o mundo parece desmoronar
na nossa cabeça e destruir todo o
nosso eu, construído tão amorosamente
pelo Pai e lapidado com as
dificuldades da vida.
São nessas horas que todas as flores murcham,
o sol deixa de aquecer e as noites parecem tão
intermináveis quanto as voltas que
o relógio dá.
Mas tudo isso é apenas uma idéia!

As bênçãos que recebemos não deixam de
existir quando o sol desaparece,
somos nós que nos cegamos.
Mesmo quando o céu está encoberto e carregado,
pesado e escuro,
um vôo acima das nuvens nos mostra
que o azul continua lá,
sereno e pronto para reaparecer.

As bênçãos que recebemos nunca se apagam e
as carregaremos em nós para toda a vida.
E nas nossas contabilidades não nos
esqueçamos de contá-las,
não somente para que continuem presentes,
mas para que estejam prontas para acolher todas
as outras que estão destinadas a nós.

Tenho colhido bênçãos incontáveis na minha vida.
Conheci também as noites escuras,
como todo mundo,
mas a vela da esperança das bênçãos continuou
acesa e se iluminava ainda mais a cada oração.
Não é por que as bênçãos
demoram a chegar que nunca chegarão.
A perseverança é uma forte arma contra
o desânimo e é ela que vai abrindo as portas
que devemos atravessar.
Há, creiam,
do outro lado do muro bênçãos para cada um,
um Deus amoroso e disposto a perdoar,
acolher e conceder os desejos do coração.
Eu nunca duvidei disso e por esse motivo posso hoje
plantar e colher muitas flores.

Que o Senhor abençoe este
dia e todas as horas de cada um de vocês!
Que o sol brilhe,
que o amor aconteça e que a esperança
nunca os abandone!

TEXTO E COMENTÁRIOS: Letícia Thompson
* * * * *
Texto enviado aos amigos do Grupo Mensagem de Domingo,
dia 05 de Abril de 2.009.

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