sábado, 2 de maio de 2009

A beleza interior

Seria hipocrisia de nossa parte dizer que
as aparências não contribuem nesse mundo
onde a imagem funciona como um cartão de visitas:
é o que se vê em primeiro lugar,
o que chama a atenção ou provoca,
de imediato,
uma reação positiva ou contrária.

Ignorar fatores da realidade que vivemos
não nos faz melhores,
mais humildes, humanos ou sábios.

Saber cuidar de si com o mesmo
carinho e atenção com o qual cuidamos das coisas
que mais amamos é sinal de sabedoria.

O que não podemos e devemos evitar é que as aparências
nos enganem e maquiem as verdadeiras belezas
que estão no interior de cada um.

Aquelas coisas tão especiais e essenciais
que só podem ser vistas quando abrimos os olhos
do nosso coração e da nossa alma.

É quando vemos através das aparências
e penetramos no eu de cada pessoa que
percebemos as riquezas que se escondem,
que as conhecemos verdadeiramente.

Aprendemos com a vida que as aparências
não somente enganam ou
criam idéias falsas e preconceitos,
mas que com o tempo elas se apagam.

A beleza exterior não é eterna.

Mas a que vem do interior não cria rugas,
a terra não consome e se ela deve se modificar
é para ficar ainda mais aprimorada
com a idade e as vivências.

A bondade, o altruísmo,
o amor que nos torna compreensivos
e tolerantes são belezas invisíveis,
mas tão enriquecedoras que tornam o mais
comum e simples dos mortais em um ser excepcional.

Talvez seja por isso mesmo que,
segundo a Bíblia,
Jesus veio da forma mais simples e fisicamente
não possuía atrativos.

Tudo o que nos deixou e ensinou perdura até hoje,
ficará amanhã e ainda por séculos e séculos.
E só aqueles que foram e são capazes
de ver através das aparências é que souberam
amá-lo de todo coração,
de toda alma e de todo entendimento.

Só os que entendem isso nos dias atuais
é que podem crescer em sabedoria,
dão-se aos outros sem contar e se dirigem,
passo a passo,
na direção dos braços do Pai.

* * * * *

COMENTÁRIOS DA AUTORA

A efemeridade de todas as coisas está em toda parte.
Tentamos, muitas vezes,
segurar desesperadamente em nós as coisas
que não queremos que nos escapem,
pois as julgamos especiais e essenciais ao nosso viver;
precisamos delas para nos sentirmos
felizes e invariáveis vezes,
completos.
Mas o vento carrega as folhas,
arranca flores e nem sempre sabemos segurar
junto do nosso coração o bem ao qual nos apegamos.
Percebemos assim que na vida tudo é passageiro,
o presente é importante e as oportunidades
que perdemos hoje poderão não se repetir amanhã.

Os que tomam consciência real dessas
coisas vivem melhor e mais,
amam mais e mais intensamente,
dão de si sem pedir e se contentam
de cada nascer e pôr-do-sol,
agradecendo diariamente por mais um dia recebido.
E um belo dia, talvez sós,
poderão se dizer:
"eu amei intensamente e vivi intensamente
cada instante que me foi dado e agora
posso viver de lembranças,
posso rir sozinho com a sensação
de nunca estar só e tenho a paz no coração
da esperança de um reencontro,
só possível aos que crêem."

As coisas essenciais ao nosso viver nossas mãos não tocam,
nossos olhos não vêem e não podemos contabilizar.
Elas fazem parte das riquezas espirituais,
que vão além das aparências,
vivem muito depois de terem partido,
se apegam à nossa pele como os perfumes mais caros,
são indestrutíveis e se agarram às paredes do nosso coração.
Elas vivem eternamente em nós.

Não é a primeira vez que falo sobre o efêmero.
Mas o grande acontecimento falado
na mídia durante toda a semana me fez pensar
mais uma vez sobre o assunto.
Quantas coisas bonitas deixamos passar,
não ouvimos e não sentimos,
só porque nossos olhos físicos foram superiores
aos olhos da nossa alma?
Quanto de belo perdemos?
Quantos amigos deixamos de fazer,
quantas horas deixamos de viver?
Apostamos no visível,
no palpável e confiamos demais na nossa percepção,
primeira impressão.
Quantas belezas estão escondidas assim
através do mundo pedindo às vezes apenas
uma pequena oportunidade?

Antes de julgarmos o que quer que seja,
devemos abrir nosso coração e deixar de
lado nossos preconceitos.
O que o vento não carrega é muito mais
importante que todo corpo bonito,
que todo rosto sem imperfeições.
Vejam as flores que enfeitam nossos jardins hoje!
Amanhã já não mais estarão,
mas a beleza que preencheu nossas horas
nos farão sonhar por muito e muito tempo.
Há coisa mais linda que isso?

TEXTO E COMENTÁRIOS: Letícia Thompson
* * * * *
Texto lido no programa
"Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 02 de Maio de 2.009.

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