segunda-feira, 12 de abril de 2010

Não espere acontecer

Era uma vez um rei que possuía
larga extensão de terras.

Habituado a caminhar pelo seu reino,
certa ocasião o soberano irritou-se
com a aspereza do solo que
lhe feria os pés.

Determinou que todas
as estradas e todos os caminhos fossem
cobertos por macios e
belos tapetes.

Todos os súditos se empenharam
em realizar a louca e difícil tarefa
imposta pelo monarca.

Passaram-se alguns anos
sem que o trabalho pudesse
ser concluído.

Um dia, o exigente soberano,
tomado por uma febre violenta,
acabou morrendo sem ver seu
desejo realizar-se.

Um velho sábio,
ao tomar conhecimento daquela
estranha história,
comentou: "pobre rei!

Morreu sem concretizar
seu sonho e sem saber o quão
fácil isso poderia ter sido!"

Ante a surpresa e a discordância
manifestada por aqueles que o ouviam,
esclareceu: "se o
rei não queria ferir-se com a
aspereza dos solos,
bastaria que cortasse dois pedacinhos
de tapete e os colasse na sola
de seus próprios pés.

Se assim tivesse agido,
para ele,
todo o seu reino seria acarpetado."

Críticos sagazes,
somos hábeis em tecer comentários
cruéis a respeito de pessoas
e de situações.

Somos ágeis em relacionar o
que não nos agrada nos mais
diversos lugares e ambientes.

Temos olhos de águia para
criticar e condenar.

Estabelecemos listas infindáveis
de coisas a serem melhoradas
e corrigidas pelos outros.

Temos a convicção de que
"se não fosse pelos erros dos outros
o mundo poderia ser muito melhor."

Agimos como se fôssemos
meros espectadores e como se não nos
coubesse qualquer responsabilidade
perante a vida.

Esperamos que as coisas
se resolvam por si só,
ou ainda,
que as outras pessoas façam
algo por nós.

Queremos um mundo onde
as estradas sejam acarpetadas para
garantir maciez aos nossos pés.

Mas,
esperamos que os outros
cubram nossos caminhos com
belos e ricos tapetes.

Delegamos ao resto da humanidade
a responsabilidade por toda a nossa
desdita e pela nossa ventura.

Em virtude disso,
vemo-nos destinados a reclamar
infinitamente pela não realização
de nossos sonhos.

Sonhos esses que teriam
grandes chances de se concretizar
se nos dispuséssemos a fazer a
parte que nos cabe.

Não aguardemos pela iniciativa
dos que nos cercam na realização
do que a todos compete efetuar.

Quem cruza os braços
em função da inércia alheia,
confunde-se na multidão dos
que nada fazem.

Responsabilizar os outros
não produz nada de útil.

Apontar equívocos alheios
não nos autoriza a ignorar
os nossos próprios.

Ser capaz de reclamar
não nos aprimora,
nem garante a correção das
falhas que apuramos.

Abandonemos a acomodação
que há tanto nos acompanha
e livremo-nos das garras da
preguiça que nos alicia.

Tenhamos disposição para
fazer o que nosso conhecimento e
nossa capacidade nos permitem.

Pouco a pouco,
a gota corrompe a pedra.
O raio de luz vence a escuridão.
O vento move a montanha
e esculpe as rochas.

Demonstra a natureza que
cada qual detém a possibilidade
de alterar o que parece imutável.

Cada um,
singela e constantemente agindo,
pode marcar a face da história e
transformar o rumo da vida.

Atos simples que não
exigirão heroísmo,
nem bravura,
de nenhum de nós.

Atos cotidianos
e aparentemente banais,
mas que, em verdade,
integram a missão individual
de cada um perante Deus.

Pensemos nisso.

TEXTO: Equipe de Redação do Momento Espírita,
com base no livro Parábolas Eternas,
organização Legrand, 3ª ed.,
Editora Sóler, pp 108/109.
* * * * *
Texto lido pelo Radialista
Anderson Fonseca,
no programa
"Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 12 de Abril de 2.010.

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