segunda-feira, 10 de maio de 2010

O Tamanho da Dor

Eu sei o tamanho da sua dor.
Imagino o quanto te custa
levantar a cabeça,
sair de casa.

Até respirar parece uma tortura.
A dor no peito parece indicar
o fim da vida que nunca chega.

Em sua cabeça,
o que importa é quem
te fez sofrer.
Você não aceita a
situação atual.
Não é justo o que
fizeram com você.
Falar é fácil,
e fica todo mundo te enchendo
com as mesmas frases:
"Você precisa reagir".
"Você precisa reagir".
"Você precisa reagir".
"Você precisa ser forte".
"Você precisa ser forte".
"Você precisa ser forte".
"Esquece isso."
"Esquece isso."
"Esquece isso."

Sabe que isso já
tá doendo nos ouvidos?
Será que os outros
pensam que é fácil
passar pelo que você
está passando?

Será que eles pensam
que é só querer e tudo
está resolvido?

Como esquecer o passado,
se o passado para você é o seu hoje...
é o seu presente?
Se para você as lembranças
daquele dia,
quando você sofreu a
"grande humilhação da sua vida",
estão tão vivas,
mas tão vivas que parece
que tudo está acontecendo agora.

Tá vendo,
foi só lembrar e você
já começa a chorar,
de tão forte que é a dor.

É, realmente eu sei
qual é o tamanho da sua dor,
e não acho justo que as
pessoas fiquem tentando
julgar o seu sofrimento,
a sua situação.

Cada um de nós sabe
exatamente onde a
dor é mais forte.
Cada momento que vivemos
é registrado em nossa mente
como "um arquivo fotográfico".

Quando precisamos identificar
alguma coisa
buscamos nos nossos
"arquivos mentais"
a foto correspondente ao
que buscamos entender.
Se alguém fala em "uvas",
você não precisa ver as uvas
para saber o que são;
dentro do seu "arquivo"
tem uma foto de uva
e você manda buscar essa
foto instantaneamente.
É um processo natural.

Quando te falam de algo que
você não conhece,
você precisa ver ou viver
a situação para colocar essa
foto no seu arquivo.

Pois bem,
nos seus arquivos,
existem diversas fotos
de felicidade.

Diversas fotos de momentos
em que você sorria.
Fotos de momentos
especiais nos quais
os amigos estavam presentes,
a família, e outras,
onde você estava muito bem.

O exercício é esse:
mande buscar essas fotos
no seu cérebro.
Reveja cada momento
feliz e guarde,
registre, capture esse sorriso,
essa paz, esse "calorzinho"
gostoso que sentimos quando
estamos felizes.

Vá revendo as fotos da felicidade
que estão armazenadas
em você mesma.
Não deixe que outras fotos
"escuras"
entrem no seu álbum.

Segure em sua mente
essas fotos de felicidade
e saia dessa dor mais facilmente.
Não quero te falar as
mesmas velhas frases
que todo mundo já te falou.
Você sabe o que é preciso fazer.

Não é fácil, eu sei que não é.
Toda batalha é dolorosa.

Toda doença deixa marcas,
e a dor é uma grande doença.
Pior ainda se ela for a
dor de uma paixão,
porque é uma dor invisível e
sem remédios farmacêuticos.

Para todas as doenças
existem remédios,
que curam
ou amenizam a dor.

Para a dor do amor,
só o tempo,
a sua vontade de viver e um
novo amor para apagar.

A nossa grande vantagem
como seres "racionais"
é que nós podemos criar o
nosso álbum de fotografias
do jeito que nós queremos.

Monte um novo álbum
para a sua vida.
Coloque nele apenas as
fotos que te fazem bem
e espalhe ao vento as fotos
que te fazem sofrer.

Eu acredito em você!

TEXTO: Paulo Roberto Gaefke
* * * * *
Texto lido no programa
"Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 13 de Maio de 2.010.

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