terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O bem do desapego

É quando nos preparamos para mudar
que percebemos a quantidade de coisas que
guardamos sem necessidade.

Nem sabemos por que o fazemos,
mas temos medo de um dia precisar disso
ou daquilo e vamos acumulando nossas preciosidades,
se assim podemos dizer.

Grande armário é o nosso coração e a nossa alma!

Imagino que se um dia tivéssemos que "mudar"
esse pedacinho de nós,
encontraríamos nele muitas coisas
desnecessárias das quais tivemos dificuldade
para nos desvencilhar.

Como nos nossos armários há roupas que
nem nos cabem mais,
nas gavetas objetos inúteis,
há nesse nosso coração certamente sentimentos
que há muito deixaram de nos servir,
mas que continuam intactos,
como se o tempo para eles não
tivesse passado.

As águas correm nos rios,
mas não no nosso interior.
Elas levam o que encontram pela frente,
mas nós nos apegamos ao inútil e nos impedimos
assim de desembocar no grande mar da vida que
nos oferece novos horizontes.

Se um dia decidirmos mudar de casa e nos
oferecermos uma nova vida,
não precisamos deixar tudo
e nem carregar tudo.
Um coração sábio saberá escolher o
que deve ser aproveitado ou não.

Os carinhos que recebemos permanecerão intactos,
mesmo se as flores se secaram
e as cartas se perderam.

Antigas e amareladas mágoas nunca têm utilidade,
a não ser para envelhecer e entristecer nossa alma.
Coisas que começamos e nunca
terminamos ou continuamos,
ou desistimos.

Não é vergonhoso deixar coisas para trás,
pesado mesmo e seguir em frente
carregando essas mesmas coisas que nem
sabemos onde vamos colocar.

Valioso demais é nosso coração para
que seja maltratado,
para que seja a ele negada a chance
de se oferecer novas
oportunidades e novos ares.

Cultivar no seu jardim a flor do desapego não
significa amar menos ou deixar de apreciar
o que de bom a vida nos oferece.

Apenas mudar nosso olhar em relação ao
mundo e se dizer que
as coisas realmente bonitas e importantes ficam
gravadas para sempre nas paredes da nossa alma,
seja qual for nosso caminho.

TEXTO: Letícia Thompson
* * * * *
Texto lido no programa
"Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 10 de Dezembro de 2.010.

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