segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

ATRITOS

Ninguém muda ninguém;
ninguém muda sozinho;
nós mudamos nos encontros.
Simples, mas profundo,
preciso.
É nos relacionamentos
que nos transformamos.

Somos transformados a
partir dos encontros,
desde que estejamos abertos
e livres para sermos
impactados pela idéia e sentimento
do outro.

Você já viu a diferença
que há entre as pedras
que estão na nascente
de um rio,
e as pedras que estão em sua foz?

As pedras na nascente são toscas,
pontiagudas,
cheias de arestas.

À medida que elas vão sendo
carregadas pelo rio
sofrendo a ação da água e se
atritando com as outras pedras,
ao longo de muitos anos,
elas vão sendo polidas,
desbastadas.

Assim também agem
nossos contatos humanos.
Sem eles,
a vida seria monótona,
árida.

A observação mais importante
é constatar que não
existem sentimentos,
bons ou ruins,
sem a existência do outro,
sem o seu contato.

Passar pela vida sem
se permitir um relacionamento
próximo com o outro,
é não crescer,
não evoluir,
não se transformar.

É começar e terminar
a existência com uma
forma tosca,
pontiaguda,
amorfa.

Quando olho para trás,
vejo que hoje carrego
em meu ser
várias marcas de pessoas
extremamente importantes.

Pessoas que,
no contato com elas,
me permitiram ir dando
forma ao que sou,
eliminando arestas,
transformando-me em alguém melhor,
mais suave,
mais harmônico,
mais integrado.

Outras, sem dúvidas,
com suas ações e palavras
me criaram novas arestas,
que precisaram ser
desbastadas.

Faz parte...
Reveses momentâneos servem
para o crescimento.
A isso chamamos experiência.

Penso que existe
algo mais profundo,
ainda nessa análise.

Começamos a jornada
da vida como grandes pedras,
cheia de excessos.

Os seres de grande valor,
percebem que ao final da vida,
foram perdendo todos os excessos
que formavam suas arestas,
se aproximando cada vez
mais de sua essência,
e ficando cada vez
menores, menores, menores...

Quando finalmente aceitamos
que somos pequenos,
ínfimos,
dada a compreensão da
existência e importância
do outro,
e principalmente da
grandeza de Deus,
é que finalmente nos tornamos
grandes em valor.

Já viu o tamanho do diamante polido,
lapidado?
Sabemos quanto se tira de excesso
para chegar ao seu âmago.

É lá que está
o verdadeiro valor...
Pois,
Deus fez a cada um de nós
com um âmago bem forte e
muito parecido com o diamante bruto,
constituído de muitos elementos,
mas essencialmente de amor.
Deus deu a cada um de nós
essa capacidade,
a de amar...
Mas temos que aprender como.

Para chegarmos a esse âmago,
temos que nos permitir,
através dos relacionamentos,
ir desbastando todos os excessos
que nos impedem de usá-lo,
de fazê-lo brilhar

Por muito tempo em minha
vida acreditei que amar
significava evitar
sentimentos ruins.
Não entendia que ferir
e ser ferido,
ter e provocar raiva,
ignorar e ser ignorado faz parte
da construção
do aprendizado do amor.

Não compreendia que se
aprende a amar sentindo
todos esses
sentimentos contraditórios e...
os superando.

Ora,
esses sentimentos
simplesmente não ocorrem
se não houver envolvimento...

E envolvimento gera atrito.
Minha palavra final:

ATRITE-SE!

Não existe outra forma
de descobrir o amor.
E sem ele a vida não
tem significado.

TEXTO: Roberto Crema
* * * * *
Texto lido no programa
"Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 06 de Janeiro de 2.011.

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