sábado, 13 de agosto de 2011

As dores de Jó

Não entendo porque temos
de maneira geral
uma natureza tão negativa,
independentemente da
nossa personalidade.

Se para alguns
tudo é sempre bonito,
tudo é bom e se
o sol desaparece ele
vai voltar o que
quer que aconteça,
para outros,
os dias se seguem
uns depois dos outros,
apenas com horas repetidas
e cenas que se sucedem,
numa monotonia muda
e dolorida.

E para todo mundo,
as infelicidades
pesam cem vezes mais que
os momentos de alegriam
que arrebataram
nosso coração.

A dor é pesada e a
felicidade é leve.

As lágrimas de tristeza
apagam mais rápido
o que de bom aconteceu
e raros são os que têm a força
e coragem de dizer:
"perdi, mas tive"
"choro hoje mas
ontem dei gargalhadas"
ou
"a vida vale a pena mesmo
se sigo tropeçando."

Não creio!

Não posso acreditar
em 24 horas por
dia e 365 dias por ano
de dor infinita sem que
em algum momento
uma alegria tenha
tocado nosso coração nem
que seja de leve.

Deve existir,
como todo mundo de exceções,
uma infelicidade
assim grande e duradoura,
mas prefiro acreditar
que seja realmente uma
exceção e não uma fatalidade.

Conheço alguém
que colheu todas as mágoas
e dores possiveis reunidas
em um só ano,
como não acreditamos
que seja possível.

Mas ainda assim não se
pode dizer que a vida
seja uma sucessão de
coisas ruins sem dia,
sem raio de sol,
sem primavera e sem as
estrelas que nos olham
do alto.

Quem planta dores
colhe dez
vezes mais as mágoas
espalhadas pela vida,
que seja hoje,
que seja amanhã.

Isso é o reflexo natural das
coisas que se faz aqui e ali.

Mas duro mesmo é ver
colher lágrimas
quem com lágrimas semeia
o bem e o bom.
Duro é ver a injustiça
para os que partem
cedo demais,
sofrem cedo demais,
que não escolheram,
mas tiveram
suas cabeças apontadas.

Insuportável!...

Portanto,
a vida não escolhe e nos curvamos.
Nos apegamos
desesperadamente a uma
esperança futura que
encontramos quando olhamos
para a Cruz e
compreendemos que
Aquele que viveu a maior
injustiça foi perseguido,
cravado e coroado
de espinhos.

Todos os dias do ano não
são ruins ao todo.

Jó teve, perdeu,
chorou e foi recompensado
pela paciência e perseverança.

Há um amanhã que
nos aguarda
e acolhe a todo aquele
que não desespera.

Há e haverá um amanhã
e todo aquele que crer.

Este verá e viverá.

TEXTO: Letícia Thompson
* * * * *
Texto lido no programa
"Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 20 de Agosto de 2.011.

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