domingo, 27 de novembro de 2011

A Morte não Existe

É possível que o temor
da morte provenha do fato
de se pensar que tudo
termine com a vida.

A morte verdadeira
é o não pensar,
uma tirania que aprisiona
a inteligência,
uma escravidão mental.

Como sentir a eternidade
dentro de si?

Não estamos morrendo todas
as noites para despertar
no dia seguinte?

Na Comédia de Dante,
diz o poeta:
“O pior dos suplícios é sentir-se
morto sem acabar de morrer,
é sentir-se quase vivo estando morto,
e ansiando morrer,
seguir vivendo”.

A morte tem a ver com
a falta de estímulos,
de interesse e esperança.

O essencial é a atividade,
o movimento, o equilíbrio.

É necessário abandonar
a inércia e a desesperança,
construir um novo futuro,
ressurgir das cinzas como
o pássaro imortal,
uma verdadeira ressurreição
que a lenda de Lázaro não
pode explicar.

Por que o espírito humano
busca o conhecimento e o
aperfeiçoamento?

Por que busca o acercamento
com Deus?

A liberdade do homem
é construída sobre o pensar.
Quanto mais pensar,
mais livre será.

Mas o que é pensar?
Esta movimentação discricionária
de pensamentos na mente seria pensar?

Não, isso não é pensar,
criar soluções luminosas,
optar por caminhos,
selecionar o que convém para
o bem e felicidade próprios
e alheios.

Ao pensar,
opomo-nos à fatalidade
e liberamo-nos do destino comum,
da mediocridade.
Trata-se de opor à fatalidade
um destino construído pela pessoa,
que será viável através
do conhecimento,
do domínio dos pensamentos.

Todos têm o privilégio de
mudar o destino,
apesar de não poder
modificar o desígnio que
lhes dá um tempo de vida
neste planeta.

A cada decisão que se toma,
o futuro está sendo alterado.
A fatalidade e o predeterminismo
não existem para
quem use sua inteligência
para construir o futuro.

Não é a fatalidade
que leva o desatento
a acidentar-se,
o esquecido a envolver-se
em inúmeros problemas,
o irascível a atrair sobre si
a violência dos que
não o suportam.

O destino pode ser modificado
por quem compreende
que deve se transformar
para construir uma vida melhor,
pois existe para o ser humano
o livre arbítrio,
a liberdade interior por
optar sobre o que quer pensar,
fazer, realizar.
Assim se poderá escapar
da fatalidade.

Qualquer obstáculo
pode ser transformado
em instrumento de aperfeiçoamento
pessoal através da utilização
da inteligência.

Um defeito que nos incomoda
poderá mover-nos para combatê-lo,
extirpá-lo.

Mudando,
poderemos construir
um novo destino.

Nenhuma idéia diferente
ou oposta à do aperfeiçoamento
poderá nos impulsionar
para a construção de uma
vida mais feliz.

Um dos preceitos gravados
no Templo de Delfos era o
“Conhece a ti Mesmo”.
Platão diz através de Sócrates
- personagem de um de seus escritos -
que “parece-me ridículo,
pois,
não possuindo eu ainda
esse conhecimento,
que me ponha a examinar
coisas que não me
dizem respeito.
Não são as fábulas que investigo;
é a mim mesmo”.

Esse conhecimento implica
conhecer os defeitos pessoais;
é muito comum censurarmos
os dos outros.

Ao evitar, em nós,
os que censuramos,
estaríamos realizando uma
pequena parte daquele conhecimento
inscrito no templo grego.

Assim como a fome
e a sede são sinais de nosso
organismo indicando que
precisamos nos alimentar,
os defeitos são sinais
de que nosso organismo psicológico
nos dá indicando que
devemos mudar.

E o nome dessas mudanças
é educação espiritual;
construção de uma nova
conduta que deverá nos
ocupar diariamente,
da mesma forma como
dormimos e nos alimentamos,
para não cair na inanição mental,
na indigência espiritual.

Há também muitos
preconceitos que precisam
ser eliminados e que nos
têm influenciado fortemente.

O primeiro deles é o que
diz que não podemos mudar,
que tudo está escrito,
que a vida é um vale de sofrimentos,
que não somos ninguém,
que o ser humano não
tem conserto,
que alguém virá para
nos salvar e resolver por nós
o que não conseguimos.

Ao vencer tais preconceitos
e assumir as rédeas do destino,
opomo-nos ao comum e á
fatalidade que não existe para
quem lute por pensar com
liberdade e construir
o próprio futuro.

TEXTO: Nagib Anderáos Neto
* * * * *
Texto lido no programa
"Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 30 de Novembro de 2.011.

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