domingo, 13 de maio de 2012

A arte de ser alguém

A solidão e a invisibilidade do ser
caminham de mãos dadas.
Sozinho é aquele que não aparece para os outros,
que tem medo até de se olhar no espelho
porque a própria imagem aparece como
uma companhia inexistente.

Há pessoas que passam a existência
em busca de aprovação,
sem realmente estar nessa busca e sentem-se
sempre como uma pálida cor no quadro da vida.

Elas querem ser vistas, amadas,
apreciadas, mas não saem do lugar,
ficam sempre à espera que um
reconhecimento haja.

Mas o que torna uma pessoa visível ou
invisível aos olhos dos outros?
Ninguém precisa ser importante no sentido
de possuir coisas ou ser um ser extraordinário
para que possa ser visto ou amado.

Não são as outras pessoas que nos
tornam visíveis ou invisíveis,
solitários ou cerdados de pessoas,
somos nós.

Quando damos de nós,
vamos deixando
pedacinhos do nosso eu nos outros,
de maneira que vamos nos tornando
presentes e inesquecíveis.
As pessoas sempre querem se aproximar
daquilo que lhes faz bem, que é positivo,
estão sempre voltadas para aquilo que vai
valorizá-las de alguma forma.

Quem reclama que não se sente amado,
não se sente procurado,
que acha que passa pela vida como uma
forma vazia e sem importância,
deveria ver o mundo
pelo outro lado da janela,
de fora para dentro.

Faça o contrário,
aja, ame,
torne-se alguém pelo menos para alguém,
seja aquilo que você gostaria que os
outros vissem em você.

Ninguém deve ter o poder de nos transformar,
nós devemos ter o poder e a possibilidade
de trabalhar do nosso interior para o exterior.

Somos nós que nos
construímos ou nos destruímos,
que aparecemos ou desaparecemos.

As pessoas vêm
em nós o que parecemos a elas.
Elas não nos fazem,
a menos que permitamos.
Nós nos fazemos!

Se sentimos essa necessidade
de sermos queridos e apreciados,
queiramos e apreciemos.
É impossível esconder uma
luz numa noite escura e,
creiam,
o mundo atual é para muitos uma
noite escura e sem estrelas.

Sejamos então uma luz.
E as pessoas com necessidade disso virão a nós.
Estaremos assim cumprindo nossa missão,
daremos o que precisam e recuperaremos
em nós o que precisamos para nos
sentir inteiros e saciados.

Embora as pessoas
façam parte da nossa história,
elas não a escrevem.

Nós o fazemos,
com todos os instrumentos que temos
ou aqueles que nos inventamos.

As marcas dos nossos
passos não podem ser deixadas
que por nós mesmos.

TEXTO: Letícia Thompson
* * * * *
Texto lido no programa
"Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 16 de Maio de 2.012.

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