sábado, 19 de maio de 2012

O amor que se perdeu

Poucas coisas doem tanto.
Poucas coisas fazem
tanto mal
a ponto de tirar muitas vezes
a vontade de viver.

Se estamos doentes,
vamos a um médico,
fazemos tratamento,
esperamos pacientemente
nossa cura.

Mas estar doente de
amor é outra coisa.

Não há médico que resolva,
não há remédio que
possa curar.
Não há conselho que
valha.

Quando um amor chega,
ele traz na bagagem
muita coisa.
Mais ainda do que todas
as nossas noites de sonhos
poderiam sonhar.

O amor é sempre mais do que
o que esperamos
quando ainda não sabemos
nada dele.

E quando ele parte,
vai levando também nossos
sonhos e nossa visão
do amanhã.

Arranca de nós de
forma bruta a felicidade que se
estava construindo,
aquele mundo desconhecido
que estávamos desbravando
com tanta coragem.

E sem anestesia,
sem preparação.
Por isso dói tanto
e tanto.

Quando amamos
alguém inteiramente,
entregamos a essa pessoa
um pedaço do nosso ser.

E quando essa pessoa
se vai,
a impressão que
temos é que esse
pedaço vai junto.

Por isso essa sensação
de vazio no interior.

E por isso também
essa idéia de que nunca
mais amaremos,
como se o mundo
não fosse
uma casa repleta de portas
e janelas abertas.

As lágrimas que encobrem
nossos olhos,
nos impedem de ver o exterior,
de ver à frente.

Só olhamos pra trás,
o que foi vivido,
o que foi sonhado;
só olhamos pra dentro,
o que não temos mais.

E uma enorme
sensação de solidão
toma conta da gente.

As pessoas a volta nem
sempre compreendem.

Como é possível amar
tanto assim?

Como é possível se entregar a esse
ponto de se perder?

E essa incompreensão do
mundo que nos cerca
aumenta ainda
mais nossa sensação de
vazio e pequenez.

Precisamos nesses instantes
de mãos que segurem
nossas mãos
para nos ajudar a atravessar
esse período,
não de pessoas que
nos julguem.

Precisamos de pessoas que,
mesmo em silêncio,
nos ajudem a sonhar
novamente,
a descobrir ainda
as belezas que o mundo
nos propõe.

O mundo é ilimitado,
mesmo se em
alguns instantes só conseguimos
ver limites.

O coração,
mesmo ferido
(e que ninguém duvide dessa ferida que é real!)
ainda está inteiro.

E ele precisa ser cuidado
para que possa se
restabelecer,
para que possa se
abrir novamente um dia a
novas oportunidades
que certamente virão.

Porque isso vai acontecer.

Acreditem!

Nada mais incansável
que o coração quando se
trata de amor.

Nada mais teimoso!
Nada mais ridículo e nada
mais belo!...

Ele recomeçará.
Porque se dor de amor
dói tanto é porque faz
também tanto bem.

São as contradições da vida,
mas que aceitamos
de bom grado.

É só esperar um tempo
e ele recomeçará.

E nós com ele...
porque assim segue a vida!...

TEXTO: Letícia Thompson
* * * * *
Texto lido no programa
"Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 23 de Maio de 2.012.

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