quarta-feira, 31 de julho de 2013

CAMINHO

Não há caminho novo. 
O que há de novo é o jeito 
de caminhar.

Existe uma coisa difícil 
de ser ensinada e que,
talvez por isso, 
esteja cada vez mais rara:
a elegância do comportamento.

É um dom que vai 
muito além do 
uso correto dos talheres
e que abrange bem mais 
do que dizer um simples 
obrigado
diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha
da primeira hora da manhã
até a hora de dormir
e que se manifesta nas situações 
mais prosaicas,
quando não há festa alguma
nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la
nas pessoas que elogiam
mais do que criticam.
Nas pessoas que escutam
mais do que falam.

E quando falam, 
passam longe da fofoca,
das pequenas maldades ampliadas 
no boca a boca.
É possível detectá-la
nas pessoas que não usam 
um tom superior de voz
ao se dirigir a frentistas.

Nas pessoas que 
evitam assuntos constrangedores
porque não sentem 
prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la
em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra 
interesse
por assuntos que desconhece,
é quem presenteia fora das 
datas festivas,
é quem cumpre o que promete e,
ao receber uma ligação,
não recomenda à secretária
que pergunte antes quem 
está falando
e só depois manda dizer se está 
ou não está.
Oferecer flores é sempre 
elegante.

É elegante não 
ficar espaçoso demais.
É elegante não mudar 
seu estilo
apenas para se adaptar 
ao de outro.

É muito elegante não falar 
de dinheiro
em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho 
e solidariedade.
Sobrenome,
 jóias e nariz empinado
não substituem a elegância 
do gesto.

Não há livro que ensine 
alguém a ter uma visão 
generosa do mundo,
a estar nele de uma forma 
não arrogante.

Pode-se tentar capturar esta 
delicadeza natural
através da observação,
mas tentar imitá-la é 
improdutivo.

A saída é desenvolver 
em si mesmo a arte 
de conviver,
que independe de status social:
é só pedir licencinha para 
o nosso lado brucutu,
que acha que "com amigo não tem 
que ter estas frescuras".

Se os amigos não 
merecem uma certa 
cordialidade,
os inimigos é que não 
irão desfrutá-la.

Educação enferruja por 
falta de uso.
E, detalhe: 
não é frescura.
É a elegância do comportamento.

TEXTO DE: Thiago de Melo
* * * * *
Texto lido no programa 
"Madrugada Viva Liberdade FM" 
no quadro 
"Momento de Reflexão" 
no dia 01 de Agosto de 2.013.

Nenhum comentário: