sábado, 1 de março de 2014

Flores Imperfeitas

Como amar essas flores tão 
desiguais a nós?
 
Ah, não inferiores, 
menos belas 
ou menos interessantes, 
mas desiguais mesmo.
 
Essas que dizemos branco 
e nos respondem preto, 
dizemos direita e nos 
mostram a esquerda, 
se melindram por qualquer 
coisinha a um ponto 
que nos parece impossível 
achar um lugar, 
mesmo apertadinho, 
dentro do nosso coração.
 
Talvez seja possível olhando 
para nosso interior, 
tirando a máscara, 
lavando o rosto 
e reconhecendo nossas 
próprias imperfeições, 
que tanto tememos 
encontrar nos outros.
 
O que nos assusta 
nos outros não é o fato 
de serem que são, 
mas de nos 
mostrarem quem 
somos.
 
É o mesmo quando 
achamos todos os defeitos 
de educação nos filhos 
dos outros e fechamos 
os olhos dentro da nossa 
própria casa.
 
Ou quando achamos soluções 
e somos bons conselheiros 
para os outros, 
mas nossas gavetas 
continuam 
cheias de coisas das 
quais não conseguimos 
nos livrar.
 
A honestidade de cada 
um de nós deveria ser 
vista primeiro e antes 
de todas as coisas diante 
do nosso espelho, 
num dia bem claro, 
onde todas as marcas 
são visíveis, 
todos os detalhes, 
perceptíveis.
 
Se somos capazes 
de nos amar apesar de tudo, 
somos capazes de amar 
os outros apesar de tudo.
 
As pessoas são quem são, 
elas possuem belezas 
que nem sempre mostram, 
dores que nunca percebemos, 
segredos ou temores 
escondidos no mais 
profundo da alma 
e defeitos que podem ser 
vistos e compreendidos... 
exatamente como nós!!!
 
Nós, 
que buscamos compreensão, 
atenção, tolerância, 
perdões e o amor dos outros, 
somos, no fim das contas, 
flores imperfeitas como 
tantas outras.
 
Mas mesmo as flores 
imperfeitas merecem 
seu dia de sol na terra, 
porque são imperfeitas, 
mas são e serão 
eternamente flores.
 
TEXTO: Letícia Thompson
* * * * *
Texto lido no programa
"Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 02 de Março de 2.014.

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