sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

HÁ TEMPOS ...

Há tempos em nossa vida
que contam de forma diferente.
Há semanas que duraram anos,
como há anos que não contaram um dia.
Há paixões que foram eternas,
como há amigos que passaram céleres,
apesar do calendário nos mostrar
que eles ficaram por anos
em nossas agendas.
Há amores não realizados que
deixaram olhares de meses,
e beijos não dados que até hoje
esperam o desfecho.

Há trabalhos que nos tomaram
décadas de nosso tempo na Terra,
mas que nossa memória insiste
em contá-los como semanas.
E há casamentos que,
ao olhar para trás,
mal preenchem os feriados
da folhinha.
Há tristezas que nos
paralisaram por meses,
mas, que hoje,
passados os dias difíceis,
mal guardamos lembrança de horas.
Há eventos que marcaram,
e que duram para sempre,
como o nascimento do filho,
a morte do pai, a viagem inesquecível,
um sonho realizado.
Estes têm a duração que nos ensina
o significado da palavra
"eternidade".

Já viajei para a mesma cidade
uma centena de vezes e,
na maioria das vezes,
o tempo transcorrido foi o mesmo.
Mas, conforme meu espírito,
houve viagem que não teve fim até hoje,
como há percurso que nem me
lembro de ter feito,
tão feliz eu estava na ocasião.

O relógio do coração
- hoje eu descubro -
bate noutra frequência daquele
que carrego no pulso.
Marca um tempo diferente,
de emoções que perduram e
que mostram o verdadeiro tempo da gente.
Por este relógio,
velhice é coisa de quem não
conseguiu esticar o tempo
que temos no mundo.
É olhar as rugas e não perceber
a maturidade.
É pensar antes naquilo que não foi feito,
ao invés de se alegrar e sorrir com
as lembranças da vida.

Pense nisso.

TEXTO DE: Alexandre Pelegi
* * * * *
Texto lido no programa
"Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 15 de Fevereiro de 2.015.
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