sábado, 5 de setembro de 2015

Quase

Ainda pior que
a convicção do não
e a incerteza do talvez,
É a desilusão de
um Quase!

É o Quase que me
incomoda,
que me entristece,
que me mata trazendo
tudo o que poderia
ter sido e não foi.

Quem quase ganhou
ainda joga!
Quem quase passou
ainda estuda!
Quem quase amou,
não amou!

Basta pensar nas
oportunidades que
escaparam pelos dedos,
nas chances que
se perderam por medo,
nas ideias que nunca
saíram do papel,
por essa maldita
mania de viver
no Outono.

Pergunto-me,
às vezes,
o que nos leva a
escolher uma vida
morna.

A resposta eu sei
de cor,
está estampada na
distância e na frieza
dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços,
na indiferença de um
Bom Dia quase
que sussurrado.

Sobra covardia e falta
coragem até para
ser feliz.

A paixão queima!
O amor enlouquece!
O desejo trai!

Talvez esses fossem
bons motivos para
decidir entre a alegria
e a dor.
Mas não são.

Se a virtude estivesse
mesmo no meio-termo...
O mar não teria ondas!
Os dias seriam nublados!
O arco-íris em tons
de cinza!
O nada não ilumina...
Não inspira!
Não aflige!
Não acalma...
apenas amplia o vazio
que cada um traz
dentro de si.

Preferir a derrota
prévia à dúvida da
vitória é desperdiçar
a oportunidade de
merecer.

Para os erros,
Perdão!
Para os fracassos,
Chance!
Para os amores
impossíveis,
Tempo!

De nada adianta
cercar um coração vazio
ou economizar alma.
Um romance cujo fim
é instantâneo ou indolor,
não é romance.

Não deixe
que a saudade sufoque,
que a rotina acomode,
que o medo impeça
de tentar.

Desconfie do destino
e acredite em ti.
Gaste mais horas
realizando que sonhando...
fazendo que planejando...
vivendo que esperando...

Porque,
embora quem quase
morreu esteja vivo,
quem quase vive,
já morreu...

AUTORIA: Sarah Westphal
* * * * *
Texto lido no programa
"Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 06 de Setembro de 2.015.
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