quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

DIFERENTE

Diferente não
é quem pretenda ser.
Esse é um imitador
do que ainda não
foi imitado,
nunca um ser diferente.
Diferente é quem foi
dotado de alguns mais
e de alguns menos
em hora,
 momento e lugar
errados para os
outros que riem de
inveja de não serem
assim.

O diferente nunca
é um chato.
Mas é sempre
confundido por
pessoas menos sensíveis
e avisadas.
Supondo encontrar
um chato onde está
um diferente,
talentos são rechaçados;
vitórias,
adiadas...
Esperanças, mortas.

Um diferente medroso,
este sim,
acaba transformando-se
num chato.
Chato é um diferente
que não vingou.
Os diferentes muito
inteligentes percebem
porque os outros
não os entendem.
Diferente que
se preza entende o
porquê de quem o agride.
O diferente paga sempre
o preço de estar
- mesmo sem querer
- alterando algo,
ameaçando rebanhos,
carneiros e pastores.

O diferente suporta e
digere a ira do
irremediavelmente igual,
a inveja do comum,
o ódio do mediano.
O verdadeiro diferente
sabe que
nunca tem razão,
mas que
está sempre certo.

O diferente começa
a sofrer cedo,
já no primário,
onde os demais,
de mãos dadas,
e até mesmo alguns
adultos, por omissão,
se unem para
transformar o que
é potencial em
caricatura.

O que é percepção
aguçada em:
"puxa, fulano,
COMO VOCÊ É OMPLICADO".
O que é o embrião de
um estilo próprio em:
"você não está vendo
como todo mundo faz?"

O diferente carrega
desde cedo apelidos
que acaba incorporando.
Só os diferentes mais
fortes do que o mundo
se transformaram
nos seus grandes
modificadores.
Diferente é o que vê
mais longe do que
o consenso.

O que sente antes
mesmo dos demais
começarem a perceber.
Diferente é o que se
emociona enquanto
todos em torno,
agridem e gargalham.
É o que engorda mais
um pouco;
chora onde outros
xingam;
estuda onde outros
burram.

Quer onde outros
cansam.
Espera de onde já
não vem.
Sonha entre realistas.
Concretiza entre sonhadores.
Fala de leite em reunião
de bêbados.
Cria onde o hábito
rotiniza.
Sofre onde os
outros ganham.

Diferente é o que fica
doendo onde a alegria impera.
Fala de amor no meio
da guerra.
Deixa o adversário
fazer o gol,
porque gosta mais
de jogar do que
de ganhar.

Os diferentes aí estão:
enfermos, paralíticos,
machucados,
inteligentes em excesso,
bons demais para
aquele cargo,
excepcionais,
narigudos, barrigudos,
joelhudos,
de pé grande,
de roupas erradas,
cheios de espinhas,
de mumunha ou de malícia.

Alma dos diferentes
é feita de uma luz além.
Sua estrela tem moradas
deslumbrantes que eles
guardam para os pouco
capazes de os sentir
e entender.

E... nessas moradas
estão tesouros da
ternura humana.
De que só os
diferentes são
CAPAZES.

TEXTO DE: Artur da Távola
* * * * *
Texto lido no programa
Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 04 de Dezembro 2.015.
* * * * *
AJUDE-NOS A AJUDAR
Só de clicar nos links
de propagandas
deste blog você ajuda a
Campanha Natal Solidário
que promovemos
há 21 anos.

Nenhum comentário: