quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

SOBRE AMOR, ROSAS E ESPINHOS...

Amor,
que é amor,
dura a vida inteira.
Se não durou é porque
nunca foi amor.

O amor resiste à distância,
ao silêncio das separações
e até às traições.
Sem perdão não há amor.

Diga-me quem você mais
perdoou na vida,
e eu então saberei dizer quem
você mais amou.

O amor é equação onde
prevalece a multiplicação
do perdão.

Você o percebe no momento
em que o outro fez tudo errado,
e mesmo assim você olha
nos olhos dele e diz:
"Mesmo fazendo tudo errado,
eu não sei viver sem você.

Eu não posso ser nem a
metade do que sou se você
não estiver por perto".

O amor nos possibilita
enxergar lugares do
nosso coração os
quais sozinhos jamais
poderíamos enxergar.

O poeta soube
traduzir bem
quando disse:
"Se eu não te amasse
tanto assim,
talvez perdesse os sonhos
dentro de mim
e vivesse na escuridão.
Se eu não te amasse tanto
assim talvez não visse
flores por onde eu vi,
dentro do meu coração!"

Bonito isso.
Enxergar sonhos que antes
eu não saberia ver sozinho.

Enxergar só porque o outro
me emprestou os olhos,
socorreu-me em minha cegueira.
Eu possuía e não sabia.
O outro me apontou,
me deu a chave,
me entregou a senha.

Coisas que Jesus fazia
o tempo todo.
Apontava jardins secretos
em aparentes desertos.
Na aridez do coração de Madalena,
Jesus encontrou orquídeas
preciosas.
Fez vê-las e chamou a atenção
para a necessidade de
cultivá-las.

Fico pensando que evangelizar
talvez seja isso:
descobrir jardins em lugares
que consideramos impróprios.
Os jardineiros sabem disso.
Amam as flores e
por isso cuidam
de cada detalhe,
porque sabem que não há
amor fora da experiência
do cuidado.

A cada dia,
o jardineiro perdoa
as suas roseiras.
Sabe identificar que a ausência
de flores não significa a
morte absoluta,
mas o repouso do preparo.

Quem não souber viver
o silêncio da preparação não
terá o que florir depois...

Precisamos aprender isso.
Olhar para aquele que
nos magoou e descobrir
que as roseiras não dão
flores fora do tempo nem
tampouco fora do cultivo.

Se não há flores,
talvez seja porque ainda
não tenha chegado a
hora de florir.

Cada roseira tem seu estatuto,
suas regras...
Se não há flores,
talvez seja porque até
então ninguém tenha dado a
atenção necessária para o
cultivo daquela roseira.

A vida requer cuidado.
Os amores também.
Flores e espinhos são
belezas que se dão juntas.

Não queira uma só.
Elas não sabem viver sozinhas...

Quem quiser levar a rosa
para sua vida,
terá de saber que com ela
vão inúmeros espinhos.

Mas não se preocupe.
A beleza da rosa vale o
incômodo dos espinhos...
ou não.

TEXTO: Padre Fábio de Melo
* * * * *
Texto lido no programa
Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 10 de Dezembro 2.015.
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Um comentário:

amor e ódio lado a lado disse...

Muito linda a mensagem de hoje.
Fique com DEUS.
Abraços.