sexta-feira, 25 de março de 2016

O incômodo Silêncio do Sábado Santo

Normalmente o
Sábado Santo
não merece maior
atenção de nossa parte;
acabada a Sexta-feira
Santa já pensamos
no Domingo
da Ressurreição.
No entanto,
o Sábado Santo
reivindica uma
reflexão e um lugar
na nossa vida
espiritual.

O Sábado Santo é
um dia de penumbra:
entre a sombra da
Sexta-feira e
a luz do Domingo.
É o dia da ambiguidade,
do luto e da possível
boa notícia,
da espera e da esperança.
É o dia dedicado a
solidão de Maria,
o “dia não-litúrgico”.

É o dia em que Jesus
“desce” à morada
dos mortos,
na obscuridade
mais absoluta.
Ali não há visão de Deus;
por isso,
a Escritura a chama
“inferno”.

É o dia do ocultamento
de Deus,
do silêncio de Deus Pai,
da grande solidão
de Jesus,
do Filho perdido
na obscuridade,
na “terra de ninguém”.

Jesus no túmulo
simboliza o silêncio,
a volta ao mais íntimo
de si mesmo,
abraçando a solidão
sem se sentir
solitário.

Um Silêncio entendido
como  outra forma de
presença de Deus.

O silêncio de Deus
deve ser respeitado,
pois a Deus lhe dói
a morte de seus fiéis
(Sl. 116,15):
o Pai não estará
fazendo luto por seu
Filho e por suas
criaturas?

* Não será que o silêncio
do Sábado Santo supõe
o direito de Deus
se calar?

* Quê Deus não tem
direito de guardar
silêncio?

* Quem somos nós
para exigir de Deus
que nos esteja
falando continuamente?

Se não oramos a
partir desse silêncio,
é porque ainda
não mergulhamos
no mistério do
Amor compassivo.

Muitas vezes
negamos a Deus
o que de mais humano
há em nós:
o poder fazer
comunidade compassiva
e solidária,
compartilhando a
dor e o luto.

O Pai está de luto;
toda a natureza,
em silêncio,
acolhe a semente do
Corpo do Verbo,
na esperança de
germinar Vida plena.

O Sábado Santo,
portanto,
não é o mutismo
de Deus,
mas seu Silêncio,
ou seja,
a ação oculta de
Deus estendida
no tempo;
morte e ressurreição
são simultâneas
no presente de Deus,
mas no acontecer
humano só podem
ser sucessivas.

Deus nos fala em
sua mudez.
O silêncio do Senhor
nos move a procurar,
a escutar,
a enxergar...

Da escuridão da morte
do Filho de Deus
brota a Luz de uma
esperança nova:
Aproximam-se os
rumores de
ressurreição.

É Páscoa.
Não basta renascer;
é preciso assumir
nossa condição de
responsáveis de uma
Nova Vida.

TEXTO DE: Pe. Adroaldo Palaoro sj
* * * * *
Texto lido no programa
“Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 26 de Março de 2.016.
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