segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Até abraçar desaprendemos

Até abraçar
desaprendemos.
Ninguém mais
abraça com vontade.
Com sinceridade
de velório.

Odeio abraço falso,
como aquele beijo
de frígida,
no qual a face bate
na face e os lábios
se transformam
em beiço.

Abraço tem que
ter pegada, jeito,
curva.
Aperto suave,
que pode virar colo.
Alento tenso,
que pode virar
despedida.

É pelo abraço que
testo o caráter
do outro.

Não confio em
quem logo dá
tapinhas nas costas.
A rapidez dos
toques indica a
maldade da criatura.

Não sou porta
para bater.
Nem madeira para
espantar azar.
Abraço com toquinho
é hipócrita.
É abraço de Judas.
De traidor.
O sujeito mal
encosta a pele e
quer se afastar.

Pede espaço porque
não suporta os
pecados dos
pensamentos.

Devemos fechar os
olhos no abraço,
respirar a roupa
do abraçado,
descobrir o perfume
e a demora no banho.

Abraço não pode
ser rápido senão
é empurrão.
Requer cruzamento
dos braços e uma
demora do rosto
no linho.

Abraço é para
atravessar
o nosso corpo.

Ir para a margem
oposta.
Nadar para ilha e
subir ao topo da
pedra pela gratidão
de sopro.

Sou adepto a
inventar abraços.
Criar abraços.
Inaugurar abraços.
Realizar um
dicionário de abraços.
Um idioma de abraços.

O meu é o de cadeira
de balanço.
Giro nas pontas
dos pés.
Não largo,
os primeiros minutos
são para sufocar,
os demais servem
para o enlaçado
se recuperar do susto.

Não entendo onde
terminará o abraço.
Se a pessoa vai
chorar ou vai rir.
Abraço é confissão.
Dez minutinhos
de sol e de liberdade.

TEXTO: Fabrício Carpinejar
* * * * *
Texto lido no programa
"Madrugada Viva Liberdade FM"
no quadro
"Momento de Reflexão"
no dia 17 de Novembro de 2.016.
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