segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Sobre os ventos contrários e os nossos recomeços…

Nem sempre as coisas acontecem da maneira que a gente gostaria. Nem sempre o que a gente planejou toma forma e ganha vida. Alguns sonhos mudam com o tempo, alguns projetos deixam de ser prioridade, entra ano e sai ano e a gente tenta rascunhar nas páginas do presente o nosso futuro. Insistir? Desistir? Recalcular a rota? Mudar completamente a direção? Navegar mesmo contra a maré?

É assim. A gente planeja daqui e dali, deixa levar acolá, espera, esperança, e como será o amanhã?

Exatamente? Não se sabe. É como diz a frase: “Navegar é preciso; viver não é preciso”. Porque não é mesmo. Não há precisão na vida. Nem garantias de nada. Tudo o que realmente existe é o agora. E, no agora, não tenha dúvidas, é possível começar de novo, fazer diferente, transformar…

Remoer o que poderia ter sido, mas não foi, é como fitar um porta-retratos antigo, a foto já amarelada pelos anos. Aquele tempo que passou não volta mais, simples assim. Não há mais o que mudar, não há mais como fazer diferente – o passado. O que foi dito, foi dito. Escolhas e renúncias. Tudo emoldurado na tela da vida. Tudo registrado no livro sagrado das nossas memórias.

Acreditar que o hoje podia ser melhor, caso o ontem tivesse sido diferente, é retroceder e desprezar os ensinamentos aprendidos ao longo do caminho. Nada foi por acaso. Nada merece ser descartado. Aconteceu o que tinha que acontecer. Foi assim, não foi de outro jeito. A vida seguiu o fluxo das ações tomadas por quem a viveu. Ação e reação. Plantar e colher.

Se a gente quer mudar e fazer diferente, o primeiro passo é tirar dos ombros todo o peso da frustração pelo que passou, pelo que deixou de ser, pelo que, na verdade, nunca foi. Esse peso que nos impede de seguir em frente sem vacilar, sem retroceder. A gente pode cair, sim, pode ser que outros pesos, ainda maiores, apareçam por aí. Pesos maiores que o arrependimento, pesos maiores que o tempo. Mas, se cair, a gente levanta e segue firme para onde for. Porque a força que existe dentro da gente é maior que todos os pesos do mundo. Maior que a saudade. Maior que a ausência. Maior que a dor. Como já dizia Caio Fernando Abreu: “A força de dentro é maior que todos os ventos contrários. É maior porque é do bem”.

Mesmo velada por todos os medos que existem, mesmo calada em meio aos nossos gritos, apelos – e desesperos –, a nossa força interior nos mostra, lá no fundo, que é sempre possível. É sempre possível fazer diferente – o agora –, tentar novamente, recomeçar. A força que existe dentro da gente é sempre o início de um novo começo. Um recomeço. Vale a pena recomeçar. Na vida, é sempre digno se dar uma chance e começar de novo.

Se o mundo vai acabar? Um pouquinho do mundo já acaba todos os dias, no tempo que passou, no tempo que não volta mais.

Que seja infinito enquanto durar o amor. Enquanto você respirar, ainda há tempo. Nunca se esqueça disso.

TEXTO DE: Ana Paula
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Texto lido no programa "Madrugada Viva Liberdade FM" no quadro "Momento de Reflexão" no dia 01 de Fevereiro de 2.017.
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