sábado, 4 de março de 2017

Você já pode parar de querer ser perfeito – sobre tudo o que eu aprendi quando joguei fora as minhas certezas.

“Não é o crítico que importa; nem aquele que aponta onde foi que o homem tropeçou ou como o autor das façanhas poderia ter feito melhor. O crédito pertence ao homem que está por inteiro na arena da vida, cujo rosto está manchado de poeira, suor e sangue; que luta bravamente; que erra, que decepciona, porque não há esforço sem erros e decepções; mas que, na verdade, se empenha em seus feitos; que conhece o entusiasmo, as grandes paixões; que se entrega a uma causa digna; que, na melhor das hipóteses, conhece no final o triunfo da grande conquista e que, na pior, se fracassar, ao menos fracassa ousando grandemente”.

(trecho do discurso “Cidadania em uma República” ou “O Homem na Arena”, proferido por Theodore Roosevelt, em 23 de abril de 1910).

Passei a vida inteira tentando ser a pessoa que eu achava que deveria ser, interpretando papéis de acordo com as circunstâncias, lutando para superar as expectativas criadas, buscando alcançar um ideal de sucesso e de felicidade que, lá no fundo, não era o meu. 

Desde ser a “garota perfeitinha” até ser a pessoa forte e muito segura de si, que nunca precisava de ajuda para nada, criei armaduras e muletas que, a bem da verdade, tentavam contornar e vencer as minhas vulnerabilidades todas, de forma que eu me sentisse completamente pronta e à prova de balas para entrar na arena da vida e ousar arriscar qualquer coisa. 

Eu precisava de garantias e certezas absolutas de que eu não me machucaria caso topasse me expor de alguma maneira. Eu precisava do momento perfeito, da situação ideal, do lugar confortável e seguro que me diria o tempo todo: “Não se preocupe, está tudo sob controle”. 

Eu precisava ter o controle de todas as coisas, saber que tudo sairia exatamente como o planejado, que eu não sofreria, que eu não me machucaria, que eu não me decepcionaria com nada nem ninguém, do contrário, seria loucura arriscar.

Em busca de uma perfeição que nunca vai existir, durante muito tempo da minha vida, escondi todas as minhas sombras debaixo do tapete e não me permiti ficar vulnerável nem para mim mesma. 

Era como se eu usasse um escudo que me protegia de todas as coisas ruins que pudessem acontecer, mas que, por outro lado, me afastava e me impedia de enxergar todas as coisas boas também. Eu não ousava entrar na arena da vida, eu só observava. E, ao ser sempre plateia, eu mesma me impedia de viver de verdade.

TEXTO DE: Ana Paula Ramos
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Texto lido no programa "Madrugada Viva Liberdade FM" no quadro "Momento de Reflexão" no dia 07 de Março de 2.017.
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