sábado, 8 de abril de 2017

Fícus – ou a repressão do eu a um vaso da vida.

Fui comprar uma mudinha de fícus pra por no meu apartamento e como entendo picas de planta, perguntei pra moça se aquilo crescia muito. Ela, meio ríspida, respondeu: depende do tamanho do vaso que você colocar (idiota).

Rapaz, aquela resposta caiu que nem um bimotor na minha cabeça. Como eu não tinha pensado nisso antes?
Larguei o ficus lá e sentei num banco da praça a filosofar sobre minha vida. Me dei conta de que andei me plantando em vasinhos muito pequenos, por medo de crescer demais e destruir tudo a minha volta.

O pânico (ou o medo de abraçar as nossas vulnerabilidades sem se importar muito com o que os outros vão falar ou pensar a nosso respeito) é o mais puro desejo por controle, e, quanto mais você deseja, mais o controle te foge.

O pânico (ou como você queira chamar ou definir esse quase pavor de assumir-se como realmente é, com todas as suas luzes e sombras) é também o medo de ser demais, de se sentir inadequado, grande, inchado, enorme, é o pavor de sair da linha, de andar na contramão, de extrapolar, de perder as estribeiras, de assumir e sustentar suas mais íntimas vontades.

E aí, o que a gente faz diante disso? Se poda e se apequena, pra poder caber no vaso que a gente mesmo escolheu, veja só.
Isso é o que eu acredito ser a repressão do eu, do que você é nu e cru, da sua verdade. (corrijam-me se estiver errada, psicanalistas).

Enfim, se conselho me pedirem, este é: plante-se em vasos grandes, paniquento querido. Melhor ainda, plante-se em lugares onde não existam bordas ou contenções.

Permita-se crescer, florescer e dar sombra pra quem assim como você, precisa descansar em algum lugar seguro.

TEXTO DE: Giuliana Vaia
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Texto lido no programa "Madrugada Viva Liberdade FM" no quadro "Momento de Reflexão" no dia 10 de Abril de 2.017.
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