sexta-feira, 21 de abril de 2017

UM MOMENTO PODE MUDAR TUDO: SOBRE AS REVIRAVOLTAS QUE A VIDA DÁ

A cada dia acredito mais que a mudança, quando tem que acontecer, te pega de jeito, te revira do avesso, te caça, te acha, te incomoda, te grita, te aperta, mas acontece, não tem pra onde correr. É como se você passasse uma vida inteira fugindo de algo que, lá no fundo, você sempre soube que teria que lidar um dia. É aquela coisa: você pode até fingir ser quem não é, fazer o que não gosta, comprar o que não precisa, trabalhar com o que detesta, construir-se na fachada de qualquer coisa que te esconda da sua essência, mas, uma hora, o calo aperta, o coração machuca, a alma grita, o grito sai da garganta. Não dá pra viver uma vida morna, desconectada de quem a gente realmente é. Simplesmente não dá. Eis o maior arrependimento de quem já se vê num leito de morte: ter apenas existido. Ter passado pela vida sem ter realmente vivido.

É engraçado como o nosso destino é traçado em um único momento. O momento em que você disse sim. O momento em que você disse não. O momento em que resolveu partir. O momento em que resolveu ficar. O momento em que começou. O momento em que terminou. O perdão não dado. O perdão sincero. Tudo o que poderia ter sido, mas não foi. Tudo o que simplesmente foi e que você não gostaria que tivesse acontecido, mas que aconteceu. Um único momento.  E a vida revirando as gavetas, tirando todas as nossas certezas de lugar, fazendo as vezes de escola, de carrasca, de amiga, de colo, de ombro, de tempo, de tudo. E a gente ali, às vezes sem entender o porquê. Sem saber que está tudo certo. Que aconteceu absolutamente tudo o que tinha que ter acontecido para que estivéssemos exatamente onde estamos agora.

Ah, o agora. Aquele momento que pode mudar tudo.  Fazer de outra forma. Recomeçar de uma outra maneira. O momento em que você pode simplesmente escolher se dar uma chance na vida, olhar para dentro e descobrir que é muito mais forte e mais capaz do que imagina, dar o primeiro novo passo, virar a página, escrever uma nova história. Porque não adianta correr: quando as coisas têm que acontecer, elas acontecem.

Por muito tempo tive muito medo das mudanças, porque a zona de conforto me provia da tal da ideia de segurança e proteção que eu sempre ansiei na vida. Era como se mudar me desestabilizasse emocionalmente e me colocasse numa posição de risco que eu não estava disposta a correr. Mas veja que bela ironia: ao mesmo tempo em que era extremamente confortável permanecer no lugar comum, conhecido, quentinho, protegido, eu achava penoso  demais ter que arrastar a vida com a barriga, ligar o piloto automático e seguir a cartilha como se eu fosse um zumbi. “Eu vejo gente morta”, dizia o personagem do filme O Sexto Sentido. “Com que frequência?”, perguntavam. “O tempo todo”, ele respondia. E eu conseguia enxergar gente morta também. Morta de tédio, de raiva, de cansaço, de descrença, de falta do que fazer. Gente que arrastava a vida como se arrasta um carrinho no mercado. Até quando? Por que será que, quando mais precisamos de nós mesmos, mais nos faltamos?

Estava aí a equação que eu vivia varrendo para debaixo do tapete, tipo roupa que a gente soca no armário quando chega visita. Por fora, tudo limpo, arrumado, organizado. Por dentro, uma zona.

É assim que as coisas acontecem: chega uma hora em que a porta se abre e a coisas começam a cair lá de dentro. A água entorna do copo, porque ele já estava cheio demais. E aí, o que a gente faz?

A gente se dá conta de que chegou o momento de lidar com isso. De que é melhor organizar-se internamente primeiro para que o nosso exterior possa ser o reflexo exato da paz que começamos a buscar no interior. E então acontece uma coisa doida: embora a gente sempre tenha se munido de um mundo de coisas de todos os lados, socando tudo aqui e acolá, começamos pela primeira vez a nos sentirmos realmente completos na vida. Ao esvaziarmos aquilo que nos enchia, nos completamos. Não é louco isso?

A mudança. Um único momento.

Quando é que você se dará a chance de viver o seu?

TEXTO DE: Ana Paula Ramos
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Texto lido no programa "Madrugada Viva Liberdade FM" no quadro "Momento de Reflexão" no dia 22 de Abril de 2.017.
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