terça-feira, 8 de agosto de 2017

O silêncio sempre foi o meu melhor companheiro!

Desde criança sempre fui muito observadora e calada. Era uma curiosa analítica sobre os comportamentos humanos. Gostava de sentir o ambiente e as pessoas. E via muita complexidade no simples.

As equações da vida fascinavam-me e aproximavam-me mais dos resultados (infindáveis). Ouvia música clássica aos oito anos e refletia sozinha o porquê da solidão diante da minha própria singularidade.

Às vezes, com tanta imaturidade, tais questionamentos mentais assustavam-me e sentia-me ainda mais sozinha diante de um mundo que não enxergava com meus óculos.

Então, preferia não comentar nada com ninguém. Talvez achassem que havia me encontrado com a loucura muito cedo.

E na verdade o silêncio era meu melhor companheiro e as palavras escritas, sua voz.

Hoje cresci, continuo curiosa e extremamente minuciosa sobre os pormenores da vida. O sentir me pertence fortemente. Fecho os olhos e sinto o que sou. Olhar para dentro é divino! Abro os olhos e sinto os outros e o meio. Olhar para fora com os olhos do coração é totalmente passional e instigante!

A música transformou-se na vestimenta de minha alma. Para onde vou meu espírito tende a carregá-la desde o amanhecer até o adormecer. A música é a melhor indução para libertação da essência.

As autoindagações? Só aumentaram com a idade. Os pensamentos se acumularam e apertaram minha mente. Melhor forma de esvaziá-las? Sobre o vazio de uma folha branca de papel aguardando minha fala reprimida.

O silêncio? Ah.o silêncio! Sempre foi o meu eu superior gritando para um encontro comigo mesma.sempre foi minha consciência me impulsionando para verdades doídas tão necessárias.

Sempre foi o fervilhar de palavras em ebulição para servir o universo com pensamentos conexos e profundos ao molho da sensibilidade.

Sobre minha solidão ligada à minha individualidade?

Minha criança de outrora estava certa. Apenas não tinha muito entendimento ainda, mas tal questionamento me revela hoje que somos seres únicos. seres diferentes e indispensáveis que compõem um todo que aguarda esta tamanha compreensão de nossas próprias essências exóticas para uma mudança universal em prol do amor e da paz.

TEXTO DE: Izabella Procópio
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Texto lido no programa "Madrugada Viva Liberdade FM" no quadro "Momento de Reflexão" no dia 09 de Agosto de 2.017.
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